João e o pé de feijão

[Rush – Freewill]

“Há aqueles que pensam que a vida não deixou nenhuma oportunidade
Um lugar de horrores que direciona nossa dança sem propósito.
Há aqueles que pensam que estão lidando com uma mão perdida,
Que as cartas foram embaralhadas contra eles, que eles não nasceram em Lotus-Land.”

“Você pode escolher um guia já pronto indicado por alguma voz
E se você escolher não decidir, ainda assim você fez uma escolha
Você pode escolher entre medos-fantasmas e gentilezas que podem matar;
Mas eu escolherei um caminho que é iluminado – Eu escolho meu livre arbítrio”
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João tem 8 anos. Ele gosta de correr, de jogar vídeo-game, de aviões e de comer batata frita… Gosta de receber cafuné de sua mãe e fica irritado quando sua irmã mais velha, Joana, lhe chama a atenção quando ele faz algo de errado.

João tem 12 anos e começou a ter problemas na escola. Ele tem dois amigos: Ricardo e Guilherme. Guilherme tem uma Irma, Cíntia. João também tem amizade com ela… Sempre que ele vai à casa de Guilherme, Cíntia e João passam horas conversando sobre quadrinhos e seriados de TV.

Com 14 anos, João tem sua primeira namorada, a Daniela. Se conheceram um ano antes, quando ele tinha 13 anos. Eles têm suas diferenças mas se entendem muito bem… As vezes, são mais do que namorados, são amigos e confidentes. . Mesmo assim, não irá durar muito: daqui há 2 anos eles irão se separar. João ficará muito triste e perguntar-se-á o que fizera de errado a ponto de Daniela o trocar por outro.

17 anos; João se embebedou pela primeira vez. A princípio foi divertido, mas na manhã seguinte ele experimentou o que é ressaca, também pela primeira vez. Apesar de tudo, ele ficou feliz! Tem amigos com os quais saem a noite, se divertem, conhecem pessoas novas…

É véspera do aniversário de 18 anos de João e ele se apaixonou por uma menina da escola, ela se chama Alessandra. Ele não sabe se ela gosta dele, mesmo assim, resolver tentar algo.

João agora tem 20 anos e estuda na mesma faculdade que sua namorada, que conheceu quando fez 18. Ele perdeu contato com Ricardo, mas agora tem mais dois outros amigos: Isabela e Leonardo.

Aos 21 anos, João resolve terminar com Alessandra. Ele sabe que ela é uma boa pessoa e faz bem para ele. Na verdade, ele gosta dela mas está cansado… Quer ter aventuras novas… Apesar de não haver motivo, João resolve não ter mais contato com ela.

Com 23 anos, João acaba de receber uma oferta de emprego de uma construtora de edifícios. O salário é bom, a empresa é boa e ele irá trabalhar com o que gosta. Entretanto, terá que mudar de cidade. Ele conversa com sua namorada, Beatriz, com quem está junto há 2 anos:

– Mas como você vai me deixar???

– Eu não vou! Podemos continuar juntos…

– Mas como?

– Por que não vem comigo? Terei um bom salário, logo você consegue um bom emprego também.

– Só tenho 20 anos, ainda não terminei a faculdade e mesmo se eu quisesse ir, meus pais não deixariam. Bom, podemos nos ver nos finais de semana…

– Não! Sou muito ciumento! Ou você vem comigo, ou terminamos por aqui!

E assim, João e Beatriz terminaram.

João tem 26 anos e mudou de emprego. Resolveu voltar para sua antiga cidade, porque não agüentava mais aquele lugar pacato…  Decidiu então entrar novamente na faculdade e mudar de profissão. “Engenharia é uma coisa muito chata…”, João pensa. Lá conhece Bernardo.

28 anos. João reencontra seus velhos e bons amigos Isabela e Leonardo. Eles saem, se divertem, conhecem pessoas novas…

Os pais de João morrem em um acidente de carro. João tem 30 anos. Ele está em depressão e lembra que nunca mais comerá as batatas fritas feitas por sua mãe. Sua irmã o consola e convida ele para passar um tempo em sua casa, onde mora com seu marido e seu filho Daví.

Avançamos mais um ano, João agora tem 31. Ele está em um bar e reconhece Beatriz, a que ele deixou por um emprego. Ela está sozinha. João se levanta para falar com a moça, mas antes que ela perceba, ele repara que Beatriz está usando aliança. Ele se esconde e volta para sua mesa.

Com 32 anos, João monta uma empresa com Isabela e Leonardo. Ele está pensando em chamar Bernardo, mas seus dois sócios o convencem de não o fazer. “Ele é muito novo, não conhece nada da vida.“, dizem os dois…

Com 35, João conhece Luana de 30. Eles irão namorar, ficar noivos e se casar em breve. Na verdade, em exatos 2 anos.

João tem 40 anos e está se divorciando de sua esposa, com quem teve um filho, Gilberto. O motivo? Luana não é uma pessoa tão boa quanto parecia ser.

A empresa de João entra em colapso quando ele tinha 42 anos. Aparentemente, a empresa não foi gerida corretamente. Eles decretam falência e perdem tudo o que haviam construído.

João está com 44 anos. Sua irmã está indo embora do país com sua família. Ela o convida para ir com eles, mas João recusa. “Eu gostaria de ir, mas ainda tenho muitas coisas a fazer por aqui. Sou perfeccionista e gosto de que tudo seja feito da maneira certa. Não vou embora sem antes resolver minha vida por aqui ”.

João acaba de completar 45 anos. Como está se sentindo sozinho, resolve tentar refazer contato com seus amigos de outrora, Guilherme e Bernardo. Sem sucesso.

É festa de casamento. João tem 50 anos e irá casar com Lúcia, de 48. Ele pensa: “Estou muito velho, casar vai me garantir companhia na velhice.”

Passaram-se 6 anos… João tem 56 e vive uma rotina entediante. Há 5 anos montou outra empresa, a “Consultar Consultoria LTDA.”. Ele gosta do que faz, mas sente que sua vida anda muito parada. Resolve então, vender sua empresa e se aposentar.

É uma audiência. Depois de 8 anos juntos, João e Lúcia estão se separando… Há tempos eles já não estava bem, Lúcia reclamava que não recebia a atenção devida. Como se sente culpado, pensa que cedendo boa parte dos seus bens à Lúcia, isto o fará sentir menos culpa.

João tem 62 anos e não está se sentindo bem. A caminho da padaria, ele desmaia e é levado a um hospital. Lá descobrem que ele teve um infarto. Sua irmã chega ao hospital no dia seguinte, entretanto, chegou tarde de mais…

Joana vai ao apartamento de João para recolher suas coisas. Encontra seus aeromodelos, fotos de quando era mais jovem, DVD’s de seriados, revistas em quadrinhos e batatas fritas congeladas…

Guilherme é um cardiologista de sucesso e sua irmã Cintia, virou desenhista e roteirista;

Ricardo casou-se com Daniela, mas separaram-se porque ele era adúltero.

Daniela morreu aos 22 anos. Jogou-se de uma ponte… Daniela era muito introvertida e sofria de depressão crônica. Com o passar dos tempos sentiu-se sozinha de mais e não conseguiu suportar.

Alessandra superou todas as decepções que teve na vida. Tornou-se uma pessoa estável e que ajuda a todos que precisam. Vive com seu namorado, com qual compartilha todos os seus problemas e o ajuda em todas as decisões que ele precisa tomar.

Beatriz só teve dois namorados. Um a deixou e com o outro se casou. Mas ela nunca foi feliz no seu casamento. Depois de um tempo resolveu se separar. Foi aí que se lembrou de seu namorado antigo, tentou entrar em contato, mas infelizmente não conseguiu. Atualmente continua divorciada.

Bernardo é um empresário de renome. Seu escritório de contabilidade presta serviços a diversas empresas de porte.

Gilberto passou a viver de favor na casa da mãe. Na verdade, não foi criado da maneira correta… Hoje vive de “bicos” reflexo da falta de empenho dos pais.

Luana casou-se novamente com um homem que tem boas condições financeiras e que sustenta ela.

Isabela e Leonardo saíram do país. E lá estão presos por estelionato.

Daví virou instrutor de vôo. Trabalha em um aeroclube e sempre leva consigo uma foto do tio, que o ensinou a gostar de aviões.

A “Consultar e Consultoria LTDA.” prosperou após sua venda. Dizem que seu sucesso é devido ao fato de eles colocaram a qualidade em primeiro lugar. Não é uma grande empresa, mas prestam serviços excelentes.

Lúcia vive bem. Casou com um rapaz mais jovem e que depende dela. Vive dizendo: “Nesta vida, só se recebe atenção de quem realmente depende de você”.

Joana ainda vive com sua família, mas se culpa por não ter dado atenção suficiente ao irmão. Quando eram mais novos ela sempre cuidava dele… Mas depois de velhos, sente que fracassou. Fracassou em protegê-lo de si mesmo.

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Relacionamentos, Teoria dos Jogos e o Mercado de Limões

É extremamente desconfortável lidar com o silêncio de alguém…  Então, como agir quando não sabemos o que a outra pessoa está pensando? A economia explica: fique na sua, ou assuma o risco.

O mercado de limões:

Vamos supor um mercado em que carros são vendidos. Todos eles são iguais: modelo, marca, ano, tudo…  Entretanto, uns estão mais conservados que os outros. Novamente, vamos supor que o carro mais conservado vale, de fato, $ 10.000 e o menos conservado vale, de fato, $ 5.000. Na realidade, somente os donos sabem qual é a situação do seu carro (e eventualmente os mecânicos que o acompanham). Os compradores podem até sondar quais carros podem estar piores, verificando se o dono fez todas as revisões, se há arranhões na pintura, etc… Mas isso não é uma garantia (o meu carro, por exemplo, está perfeito por fora e com todas as revisões em dia. Mas pelo tanto que maltrato ele, certamente vale, pelo menos, 30% do que o mercado pagaria). Como os carros são iguais, o preço que as pessoas pagarão por eles será mais ou menos o mesmo. Mas qual será esse preço? Bom, vou resumir: é algo em torno de $ 7.500.

Trocando em miúdos, basta entender que o preço de “equilíbrio” é um valor menor que $ 10.000 e maior que $ 5.000. Isso acontece porque quem tem um carro ruim, tira proveito do fato de as pessoas não saberem a real condição do seu carro. Então, como os compradores sabem que existe um risco de acabar comprando um carro ruim, quem tem um carro bom acaba sendo prejudicado e é obrigado a vender seu carro mais barato (ou ficar com ele).

Isto se chama assimetria de informação e um estudo famoso sobre o assunto é o artigo “Market for lemons” (sei que a tradução é estranha) do George Akerlof. Basicamente, ele quis dizer que as pessoas reduzem o risco de serem enganadas se pensarem que TODAS as pessoas querem, de fato, enganá-las.

Teoria dos jogos

Bom, agora você tem que tomar uma decisão, e esta irá afetar a vida de outra pessoa. Só que ambos não podem (ou não querem) conversar sobre o assunto. Então, imaginemos a seguinte situação:

Duas pessoas foram presas por um crime, mas a polícia não tem como provar. Então, o delegado Poe os dois em salas separadas sem que eles possam se comunicar. Após, ele propõe um mesmo acordo para os dois:

“Se você entregar o seu comparsa, eu te solto e ele pagará uma pena de 50 anos.. Além disso, o Estado lhe dará uma recompensa em dinheiro pela colaboração. Mas se você o entregar e ele fizer o mesmo, ambos ficarão presos por 5 anos.

Se ambos não se entregarem, eu terei que soltar os dois…. Entretanto, vocês sairão de bolsos vazios.”

Obviamente, se os dois criminosos pudessem conversar, eles combinariam de um não entregar o outro. Eles ficariam sem dinheiro algum, mas pelo menos estariam livres da prisão. Acontece, que eles não podem conversar… Então, qual seria o desfecho da história?

Os dois prisioneiros pensariam da seguinte forma:

“ O que o meu comparsa irá fazer? P’ra mim, certamente a melhor situação seria eu o entregar e ele não me entregar. Assim, eu seria solto e ainda ganharia um belo dinheiro…

Se pudéssemos conversar, combinaríamos de um não entregar o outro, Daí, sairíamos sem dinheiro, mas pelo menos poderíamos continuar na vida do crime.

Se eu não o entregar, terei que contar com a sorte de ele fazer o mesmo, caso contrário, irei mofar na cadeia durante 50 anos. Agora, se eu o entregar, o máximo que pode acontecer é eu pegar 5 anos, que nem é tanta coisa assim… Ademais, ainda posso ter a sorte de ele não me entregar.”

Logo, o resultado é que um prisioneiro entrega o outro e ambos pegam 5 anos de cadeia!

Isso se chama “Teoria dos Jogos” e o grande pensador sobre o assunto é matemático John Nash (Sim! Aquele sujeito do filme “Uma mente brilhante”). Basicamente, ele quis dizer que as pessoas sempre tomam decisões as quais elas tem mais chance de “se dar bem” e menos risco de “se dar mal”.

Agora, o que isso tudo tem haver com relacionamentos? Novamente, vamos supor outra situação:

Maria gosta de João. Acontece, que eles nunca se falaram… Maria quer João. Mas como é orgulhosa, não diz isso a ele por que tem medo de ser rejeitada. Ademais, também não diz isso a suas amigas, pelo mesmo motivo: orgulho.

Pensando em Assimetria de informação, Maria pensa o seguinte:

“Quero muito o João… Se eu pelo menos eu soubesse que ele também gosta de mim, eu poderia me declarar para ele sem medo de ser rejeitada. Mas eu não tenho essa informação… Então, corro o risco de ser rejeitada e ter meu orgulho ferido, caso eu me declare a ele.”

Agora, utilizando a Teoria dos Jogo, existem duas situações possíveis.

1. Ela não se declara e terá que contar com a sorte dele vir se declarar. Caso contrário, írá ficar sozinha nesse amor platônico;

2. Ela se declara, ele corresponde e ela fica feliz. Entretanto, caso ele a rejeite, ficará mais triste do que se não tivesse se declarado.

Dessa maneira, Maria não se declara porque prefere ficar sozinha a ter seu orgulho ferido (nós supomos no início, que p‘ra ela o orgulho é muito importante). Além do mais, ela pode ter a sorte de João vir se declarar para ela.

Parece história de alunos da 5ª série, não acham? (Me controlei para não escrever “primário”. Eu e minha neurose de estar ficando velho… Hehehe!)

Então, vamos colocar mais realismo nisso! (Mas só um pouquinho)

Vamos supor que Maria e João cresceram. Sem importar as circunstâncias, eles se conheceram, namoraram, mas João partiu o coração de Maria. Ele ainda gosta dela, mas não diz porque quer ficar ‘por cima” da situação.  Maria faz o mesmo. Ainda gosta de João, mas está magoada demais para perdoa-lo. Na verdade, até perdoaria… Mas aí ele teria que pedir desculpas a ela.

A melhor opção, seria João se desculpar e Maria o perdoar. Entretanto, cada um fica no seu canto e ambos ficam infelizes.

Já ouviram aquele ditado: “Dois bicudos não se beijam“? Pois é, talvez a vida seja mesmo uma ciência exata…

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Até que ponto devemos ajudar alguém?

[Dream Theater – Funeral for a Friend]

” Eu me pergunto se essas alterações,

Deixaram uma cicatriz em você,

Como todos os aneis em chamas,

Pelos quais nós passamos. ”

” Você é um pássaro azul em uma linha de telefone,

Espero que esteja feliz agora,

Porque quando os ventos da mudança te acertarem por baixo,

Você ficará feliz de qualquer maneira. ”

Me envolvi com uma menina e comecei a gostar dela. Infelizmente, acabou não dando certo porque ela gostava de outro e estava sofrendo com isso. Bom, já que não havia nada a fazer, resolvi ajuda-la a resolver seu problema.

Eu disse:

“Eu prefiro dizer logo o que penso e sofrer tudo de uma vez… É muito angustiante ficar com um pensamento na cabeça por épocas e não saber o que a outra pessoa está pensando (se é que ela está pensando algo). No seu lugar, eu falaria logo tudo que eu estou pensando para ver qual seria a resposta. Se for boa, ótimo. Se for ruim, pelo menos perco as esperanças e sofro de uma vez só.

Quando seguramos as coisas, temos uma tendência de pensar que tudo dará certo na hora que resolvermos falar. Acontece, que não sabemos o que as outras pessoas pensam… Então quando dizemos o que sentimos, as respostas nos dão um ponto de vista diferente e nos fazem pensar com mais clareza.”

Bom, ela falou com ele… Foi precipitada e não pensou bastante no que ia dizer e nas consequencias (como eu havia sugerido), mas falou. Acontece, que pela resposta do menino, há probabilidade alta de ela ser devidamente enrolada por ele. Daí, eu seria o responsável por empurrar ela em um abismo.

Até que ponto devemos ajudar alguém? Certamente ela se sente melhor agora, com esperanças de te-lo de volta. Mas pelo tanto de coisas que ela me disse sobre ele, penso que ela vai se dar mal e sofrer (de novo). Na hora eu não podia pensar assim, pois eu poderia estar errado. Então falei o que eu pensava! Daí, ela não fez exatamente como eu sugeri, mas fez exatamente a mesma coisa o que eu faria se estivesse no lugar dela.

Bom, no final de tudo isso, dado tudo o que eu disse e não disse aqui, os resultados possíveis são:

1. Ela volta com ele e os dois serão felizes;

2. Ela volta com ele e quebra a cara;

3. Ela não volta com ele e continua a sofrer pela perda.

 

Caso se concretize 2 ou 3, existem duas implicações possíveis:

a) Ela aprende com isso e se torna uma pessoa melhor;

b) Ela não aprende com a experiência e continuará a errar.

Por experiência própria, penso que o melhor aprendizado vem dos erros. Então, deveria eu tirar essa menina do abismo ou deixar ela escalar tudo sozinha? Infelizmente, não posso oferecer essas duas opções a ela… Até mesmo, porque ela não acharia que se encontra em um abismo. Daí, continuaria descendo e descendo, pensando que o vagalume que está lá em baixo é a luz no final do túnel.

De tudo isso, tirei mais uma lição: posso te-la perdido, mas agora eu ganhei a confiança dela. P’ra mim, certamente, ajudar ela (ou empurrar em um abismo) foi essa foi a melhor decisão que eu tomei. De qualquer maneira, mesmo que ela caia e se machuque, ela terá a chance de aprender com isso. Caso contrário, terei mais uma pessoa com quem posso contar. Quem sabe eu não esteja errado, tenha ajudado ela de verdade e a vida dê a ela o resultado 1?

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Solte a bóia e comece a nadar.

Desde quando fui morar sozinho, por várias vezes eu achei que fosse responsável o suficiente para me virar sozinho… Até que um dia o dinheiro acabou e fiquei 2 dias inteiros sem ter o que comer. Eu poderia ter pedido ajuda para meu pai ou para minha mae, mas fiquei com receio de ser repreendido. Aquela velha sensação de ter errado e não poder fazer nada para consertar…

O tempo foi passando, os cartões de crédito foram chegando, empréstimos pré-aprovados, cheque especial… Ah… Eu demorei muito p’ra aprender com a vida. Continuei errando, errando, errando… Demorei p’ra perceber que só iria aprender com meus proprios erros se eu assumisse a responsabilidade, assumisse as consequências.

Ah, se eu pudesse voltar atrás… Resolver meus problemas seria tão fácil… Era só dizer  “eu assumo a responsabilidade pelos meus erros”, abrir mão do que eu perdi e começar de novo. Entretanto, voltar no tempo seria um paradoxo! Como que eu iria aprender a ser responsável se eu pudesse voltar atrás e consertar tudo?

Até hoje eu tenho dificuldade em aprender com meus erros. “A culpa não foi minha!”, “Eu tive azar dessa vez!”, “Sou muito burro p’ra conseguir acertar…”, “Se eu pudesse voltar no tempo e fazer as coisas certas…”. “Agora aquela pessoa me odeia. Eu não deveria ter dito aquilo…”. Porque eu não simplesmente aceito o mundo como ele é e dou a volta por cima? A resposta é que é difícil aceitar que você perdeu algo ou que você não se esforçou o suficiente para ganhar algo.

A propósito, como é difícil se livrar de algo (ou alguém) que lhe prejudica. É como se tudo isso fosse uma necessidade, que em contrapartida só lhe deixasse mais fraco. Mesmo assim você não larga, deixa aquilo consumir suas forças. Você só consegue se levantar depois que aquilo, por sí só, é tirado de você (ou lhe abandona).

Como as coisas são fáceis… É só soltar a bóia e começar a nadar.

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